A Cooperação Transfronteiriça entre Brasil e França: Ensaios e Expectativas neste Século XXI

SILVA, Gutemberg de Vilhena. A Cooperação Transfronteiriça entre Brasil e França: Ensaios e Expectativas neste século XXI. Tese de Doutorado. Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ), 2013. Orientadora: Lia Osório Machado (UFRJ) Coorientador: Jadson Luis Rebelo Porto (UNIFAP)

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A presente tese doutoral é um estudo de caso exploratório, tendo por objetivo geral analisar as relações transfronteiriças entre Brasil e França, considerando a escala temporal de 1996 a 2012. Os objetivos específicos da pesquisa são: i) Compreender os atuais usos da fronteira franco-brasileira por meio de iniciativas-ações-programas (implementados e projetados) de cooperação transfronteiriça entre os dois países em questão; ii) Analisar as principais barreiras que comprometem o avanço da cooperação transfronteiriça franco-brasileira; e, por último, iii).

Compreender as repercussões territoriais no Estado do Amapá e na Guiana Francesa, oriundas de expectativas e ensaios da cooperação transfronteiriça. Nossa hipótese é que a
fronteira franco-brasileira se constitui num território estratégico recomposto, profundamente marcado pelo papel da geopolítica internacional e do jogo interno-externo de Brasil e França com reflexos territoriais na fronteira, cuja expressão mais emblemática do momento atual são as expectativas que se abriram com a aproximação institucional visando a cooperação pós 1995. Nossos procedimentos de coleta de dados para a tese são os seguintes: a) pesquisa bibliográfica; b) pesquisa documental; e c) trabalho de campo. Nossa principal conclusão é que de fato a fronteira franco-brasileira é um território estratégico recomposto através dos novos usos que começaram a ser implementados na década de 1990, mas com um efeito-barreira ainda bastante relevante em muitas das temáticas da cooperação.

A Formação Continuada de Professores de Geografia e o Uso de Geotecnologias: o Caso do Projeto “Escolas do Amanhã” da Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro

ROSA, Isaac Gabriel Gayer Fialho. A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE GEOGRAFIA E O USO DE GEOTECNOLOGIAS: O CASO DO PROJETO “ESCOLAS DO AMANHÔ DA REDE MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO RIO DE JANEIRO/RJ. Orientador(a): Carla Madureira Cruz

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Com o fim da ditadura civil-militar tivemos a conformação da Constituição “cidadã” de 1988 que estabeleceu a necessidade de expandir quantitativamente a abrangência da escola pública brasileira. A partir dos anos 1990 existiu a produção da Lei de diretrizes e bases da educação e política de fundos que quase universalizaram o Ensino fundamental em nosso território. Essa situação trouxe para a escola um novo contingente populacional que outrora era excluído de sua produção, criando uma sensação de crise de qualidade na escola estatal. Para enfrenta-la adotou-se em várias redes a disseminação de tecnologia educacional e dinâmicas de formação continuada docente.

Nesse contexto, em 2009, a prefeitura do Rio de Janeiro adotou o Projeto “Escolas do amanhã” que visa combater evasão escolar e baixos índices de IDEB em unidades localizadas em zonas conflagradas do espaço urbano. O objetivo geral da presente tese é analisar como ocorre a formação continuada do professor de geografia na rede municipal do Rio de Janeiro na questão da utilização das novas tecnologias e geotecnologias no âmbito do projeto “Escolas do Amanhã”. O projeto em tela em termos de avanço de IDEB de 2009 até 2011 apresentou uma diminuição de desigualdade de rendimento entre as unidades. O avanço das escolas em relação ao IDEB seguiu a inflexão da rede como um todo, demonstrado o pouco poder de transformação da realidade escolar local do programa. As unidades que apresentaram apenas as séries iniciais conformaram uma pequena evolução de alcance de metas.

As escolas que oferecem as séries finais apresentaram uma evolução marcante de IDEB. Cerca de 75% dos espaços escolares do programa oferecerem apenas ensino de séries iniciais (nível que apresentou uma fraca elevação), suscitando falhas na transformação do IDEB das escolas estudadas. A política de formação continuada de docentes se demonstrou fragmentada e com pouca capacidade de transformação do cotidiano escolar. A prática de educação geográfica apresentou baixo índice de incorporação de geotecnologias, e quando existia, essa se dava de maneira a não trazer modificações qualitativas significativas na prática docente. Dessa maneira, conclui-se que em termos
de IDEB a pior evolução no Projeto se situa nas unidades com séries iniciais. Em termos de formação continuada docente, pode-se inferir que essa deve sofrer transformações para contribuir para que o Programa ajude a construir uma escola com significas mudanças qualitativas.

A Construção Escalar da Ação no Movimento dos Sem-Teto

GRANDI, Matheus da Silveira (2014): A construção escalar da ação no movimento dos
sem-teto. Tese (Doutorado em Geografia), Programa de Pós-Graduação em Geografia /
UFRJ, Rio de Janeiro. Orientador: Prof. Dr. Roberto Lobato Corrêa

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Este trabalho tem como objetivo apresentar três teses sobre a relação entre a dimensão escalar da espacialidade humana e o ativismo político, utilizando como referência para tais reflexões as práticas sócio-espaciais cotidianas do movimento dos sem-teto no Brasil. Tomo por base o envolvimento com ocupações deste movimento nos últimos sete anos e o trabalho de revisão e organização da literatura a respeito das escalas geográficas, com atenção especial àquelas reflexões produzidas no ambiente acadêmico brasileiro e em trabalhos elaborados em língua inglesa.

Resgato certas ideias presentes na história do pensamento sobre a dimensão espacial para destacar três momentos da problemática das escalas geográficas: seus primórdios, quando os questionamentos se voltavam à identificação das unidades de área, processo através do qual a diferenciação espacial poderia ser significada e o controle territorial subsidiado; sua emergência, quando o “problema da escala” é diretamente elaborado por conta da necessidade de organizar as unidades espaciais e visando a potencialização da ação sobre a realidade; e sua politização, quando a parcialidade política dos procedimentos de definição das unidades espaciais e de sua organização em diferentes configurações ou arranjos escalares é explicitada, levando à multiplicação dos trabalhos a respeito do conceito de escalas geográficas ao redor de eixos que discutiam aspectos ligados à sua natureza, forma e organização.

Enfatizo algumas possibilidades de contato entre esses novos debates ocorridos a partir da década de 1980 e as pesquisas sobre movimentos sociais urbanos como forma de introduzir meu interesse em refletir sobre a escalaridade a partir das práticas sócio-espaciais cotidianas do movimento dos sem-teto. Abordo, então, alguns aspectos do uso da categoria “luta” por moradoras e moradores dos territórios ocupados pelas organizações desse movimento —com foco principal em duas ocupações do Rio de Janeiro (Ocupação Quilombo das Guerreiras e Ocupação Chiquinha Gonzaga) e uma de São Paulo (Ocupação Mauá) — entendendo-o como um termo escalar e que confere sentido de transcendência às atividades diárias do movimento.

Em seguida, aproveito o compartilhamento de situações do dia a dia das ocupações para, por fim, sugerir três teses sobre a escalaridade: a relevância de se compreender as escalas geográficas como categorias da prática sócio-espacial cotidiana, a possibilidade de se abordar as dinâmicas escalares a partir de ao menos duas faces complementares —uma topográfica e outra topológica— e, por fim, importância de se reconhecer a escalaridade enquanto um instrumento crucial de exercício de poder.

Variabilidade Interanual do Clima de Ondas e Tempestades e Seus Impactos Sobre a Morfodinâmica de Praias do Litoral Sudeste do Estado do Rio de Janeiro

KLUMB, Leonardo Azevedo. Caracterização do Clima de Ondas, médio e de extremos e seus impactos na morfologia do litoral sudeste do estado do Rio de Janeiro. Orientador: Dieter Muehe.

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A zona costeira é particularmente dinâmica e a morfologia da costa varia de forma contínua em resposta às forçantes que atuam nas diferentes escalas de tempo e espaço. A intensa ocupação humana no litoral demanda planos e iniciativas de gestão que tenham por base os processos naturais que influenciam nesta dinâmica. Entre as forçantes que modelam a costa, as ondas de gravidade constituem a principal fonte de energia para o ambiente costeiro, sobretudo em regiões sujeitas ao regime de micromaré. Variações sazonais da energia de onda são frequentes, quando as praias buscam um ajuste entre sua morfologia e a hidrodinâmica então predominante, na escala de curto (horas, dias) e longo prazo (décadas). Eventualmente, episódios mais intensos de tempestade causam impactos significativos, resultando em danos e prejuízos econômicos e originando tendência erosiva de longo prazo nas praias. O comportamento das ondas em maior escala espaçotemporal pode ser analisado a partir do estudo da sua climatologia, entendido como o comportamento médio de longo prazo dos principais parâmetros que compõe o trem de ondas.

No litoral do estado do Rio de Janeiro, dois eventos de tempestade que diferenciavam quanto ao ângulo de incidência das ondas, a de maio de 2001, predominantemente de sul, e a de abril de 2010, de sudeste, causaram diferentes impactos nas praias em função da orientação da linha de costa, e destacaram a importância do grau de exposição da costa quanto aos eventos de tempestade.

Particularmente ao litoral fluminense, a inflexão da costa no cabo Frio e cabo Búzios resulta em basicamente dois alinhamentos principais: o sul, de orientação O-E, e o leste, de orientação SO-NE. Neste sentido, este trabalho se propôs a avaliar a climatologia de ondas e os eventos de tempestade e suas diferenças entre os dois segmentos de litoral, desde o comportamento em águas profundas, a partir dos dados disponibilizados pelo modelo global NWW3, até sua propagação para águas rasas, utilizando-se para tanto o modelo Delft3D-WAVE. Ainda, com base na análise de 15 anos de levantamentos de perfis de praia ao longo do litoral, foi possível avaliar o impacto das tempestades na costa e inferir tendências futuras. Os resultados demonstraram diferenças significativas no clima de ondas entre os dois segmentos de litoral, sobretudo em relação aos ângulos de incidência, altura e à sazonalidade. Foram identificados 228 eventos de tempestade ao longo da série, predominantemente provenientes de SSW. Eventos de SE apresentaram menor frequência, mas maior intensidade média por evento. Foram percebidas variações no clima de tempestades em função dos fenômenos El Niño e La Niña. Eventos de La Nina apresentaram maior duração e maior altura de ondas quando comparado às tempestades em El Niño. A propagação de ondas para águas rasas resultou em maior dissipação de energia no segmento leste, assim como maior ângulo de aproximação à costa. Foi observado que ondas de tempestade se aproximam predominantemente normais à linha de costa sul, o que favorece o transporte transversal de sedimentos. No setor leste, a refração no cabo Frio resulta em aproximações angulares na costa leste em relação às tempestades de SSO, favorecendo o transporte de sedimentos sentido norte. Foram identificados pelo menos três diferentes graus de exposição da costa em relação às ondas de tempestade na escala regional.

Quanto aos impactos na morfodinâmica, as praias responderam melhor às variações na altura de ondas em períodos de 6h e três dias. De maneira geral, os eventos de tempestade causaram erosão entre 20 e 30% do volume de sedimentos, em ambos os segmentos avaliados, e alterações da largura das praias da ordem de dezenas de metros. A altura da escarpa e berma de tempestade variou entre 0,5 e 1,5m. Ambos os segmentos do litoral apresentaram recuperação de volume após as tempestades, mas tendência erosiva de longo prazo.

Entre Mobilidades e Permanências: Uma Análise das Espacialidades Cotidianas da População em Situação de Rua na Área Central da Cidade do Rio de Janeiro

ROBAINA, Igor Martins Medeiros. Entre mobilidades e permanências: uma análise das espacialidades cotidianas da população em situação de rua na área central da cidade do Rio de Janeiro. Orientador: Paulo Cesar da Costa Gomes.

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O tema central da tese é a discussão da população em situação de rua, sua vida cotidiana e das múltiplas relações mantidas com o espaço. O objetivo principal foi analisar o
papel da espacialidade na vivência dessa população. De fato, muitas são as discussões e análises sobre este fenômeno, entretanto, pouquíssimas destas se dedicaram, especificamente, a essas relações. Difunde-se assim, a ideia de que este segmento populacional não se organiza segundo qualquer ordem espacial e, portanto, estariam perambulando, vagueando ou perdidos nos espaços públicos. O desafio contido nessa tese foi, nesse sentido, o de compreender se existia algum vínculo com a dimensão espacial, sobretudo nas práticas cotidianas mantidas por essa população.

Metodologicamente, o procedimento central na pesquisa foi a organização de um minucioso trabalho de campo que se mostrou um eficiente instrumento da prática de pesquisa geográfica, aqui concebida como um contínuo processo. As visitas ao campo ocuparam quase dois anos e foram realizadas mais de uma centena de longas entrevistas nos espaços públicos com essa população. Por meio da enunciação dos próprios sujeitos emergiram categorias vinculadas ao cotidiano, principalmente aquelas relacionadas às suas atividades diárias. A espacialidade foi entendida como o conjunto das lógicas de mobilidades, permanências e ritmos espaciais na execução dessas práticas. Constatamos que, mesmo diante de um conjunto complexo de adversidades, esta população não opera de modo aleatório, pelo contrário, possui uma série de lógicas, marcadas por práticas e estratégias espaciais que produzem lugares, territórios, trajetórias e circuitos espaciais cotidianos. Por fim, concluímos que a espacialidade se constitui em um elemento-chave para a interpretação deste fenômeno e necessita ser incorporado nas análises sobre o tema, pois demonstrou possuir uma dimensão essencial na organização da vida desta
população.

FAPERJ Nota 10 – EDITAL INTERNO PPGG – 2023/1

Dando prosseguimento à chamada do Programa de Bolsas Nota 10 do Mestrado e Doutorado da FAPERJ (Edital 1/2023), este edital regulamenta o processo de seleção interna dos candidatos do PPGG/UFRJ. O programa possui como objetivo incentivar os Programas de Pós-Graduação do Estado do Rio de Janeiro de significativa excelência, mediante a concessão de bolsas especiais a alunos de mestrado e doutorado com destacado desempenho acadêmico.

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